Livre arbitrio e a existência do inferno de Dante

livre arbitrio
Deus é onipotente, onisciente, onipresente e onividente. Sua inteligência suprema abarca, pois, tudo do presente, passado e futuro. 
 
Mas Ele só usa esses seus atributos quando Ele quiser, pois Ele tem livre arbítrio, que é até infinito, enquanto que o nosso é finito, e não podemos, pois, fazer tudo que queremos. Mas até parece que Deus não tem livre-arbítrio, pois dele só emana amor!

Dante Alighieri (Século 13) foi contemporâneo de são Tomás de Aquino, o maior filósofo e teólogo cristão de todos os tempos. São Tomás estava muito preocupado com a polêmica questão da divindade de Jesus, decretada pelo Concílio Ecumênico de Niceia (325). 
 
E a Igreja convocou, então, o Concílio Ecumênico de Lion (1274), para fortalecer mais a divindade de Jesus, decretada, como já foi dito, no Concílio de Niceia (325), quase, pois, mil anos antes. E o tema desse Concílio de Lion foi o “Filioque”, palavra latina que quer dizer ‘e do Filho’. 
 
Explicando melhor. A Igreja Ortodoxa Oriental, fundada em 1054 por Cerulário, Arcebispo de Constantinopla, defendia e defende ainda até hoje, a doutrina que enfraquece a divinização de Jesus. Segundo ela, o Espírito Santo procede só do Pai, enquanto que a Igreja Católica Apostólica Romana ensinava que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, dando, pois, mais ênfase ao dogma da divindade de Jesus.
 
 E o ‘Filioque’ tornou-se outro dogma para fortalecer o da divindade de Jesus. Mas até hoje, essa doutrina da divindade de Jesus ainda é um assunto polêmico que divide os cristãos.

Já Dante preocupava-se mais com a vida após a morte. E foi com o seu fantástico poema “A Divina Comédia”, em que ele narra o céu, o inferno e o purgatório, com um destaque especial para o inferno. E esse inferno dele é uma monstruosidade e que, ainda hoje, é aceito por uma parte dos cristãos. 
 
A Igreja até gostou das ideias de Dante sobre o inferno, passando a defendê-las, as quais, posteriormente, foram adotadas também pelos protestantes e evangélicos. Mas, atualmente, a Igreja, mais evoluída, já não aceita mais as ideias ‘dantescas’ do inferno. Para ela não existe esse local geográfico de tormentos sempiternos criados por Deus, o que é incompatível com Deus, que é amor. 
 
Essa é também a tese espírita. E, de fato, cada espírito, onde ele estiver, é ele mesmo que traz consigo o seu carma (inferno, céu ou purgatório). É o que Jesus disse: “…o reino de Deus está dentro de vós.” (Lucas 17: 21).

O inferno (“hades” em grego) é da Mitologia Grega, pelo que não pode ser interpretado literalmente na Bíblia, mas figuradamente. Aliás, é assim que os grandes teólogos, há cerca de uns 200 anos, interpretam-no, embora eles não falem isso em público, deixando que os seus fiéis pensem que ele seja mesmo tal qual o imaginou Dante e a maioria dos teólogos medievais.

Se existisse mesmo esse inferno medieval ‘dantesco’ e que é hoje ainda aceito por nossos irmãos evangélicos, ele seria para nós pior do que a isca no anzol para o peixe, pois o nosso livre-arbítrio, que nos leva à prática do mal, nos arrastaria para o doloroso sofrimento infernal que não acabaria jamais. Logo, como Deus nos ama com amor infinito, se tal inferno de Dante existisse mesmo, certamente, Deus jamais nos daria o livre-arbítrio!
 
Fonte: Feal

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