Assistência espiritual aos animais

passe não é magnetização

Uma das grandes confusões e relutâncias que encontramos no meio espírita é em relação aos tratamentos espirituais em animais. Já ouvimos inúmeras histórias de pessoas questionando sobre a possibilidade de haver tratamentos espirituais aos seus animaizinhos de estimação e muitos dizem que são destratados nas casas espíritas que frequentam e pior, muitas vezes são orientados a nem sequer considerar sobre este assunto pois foge do cunho doutrinário.

É natural que este assunto seja ainda desconhecido por falta de tempo ou dedicação de estudo, pois numa palavra, precisávamos compreender nossa alma, antes de procurar compreender a dos animais (1). 

Contudo, antes de dizer que alguma coisa foge do cunho doutrinário, lembremos dos ensinamentos de Kardec e de seu bom senso. Tenhamos a clareza que a Doutrina Espírita é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica (2) e devemos sempre levar em conta as evidências que acompanham o progresso da humanidade; especialmente dos ensinamentos das obras subsidiárias que vieram após a codificação. 

Afinal, poderíamos realmente descartar a coleção de livros e conhecimentos trazidos por autores espirituais e estudiosos espíritas como Gabriel Delanne, León Denis, Herculano Pires, Joanna de Ângelis, André Luiz, Emmanuel entre outros?

A má interpretação dos textos nos coloca à mercê de conclusões equivocadas. O famoso caso da mensagem do Espírito Erasto no O Livro dos Médiuns, Cap. XXII, “Da Mediunidade nos Animais”, Item 236 sobre o Sr. T. que magnetizou seu cão e este veio a óbito é prova de um destes equívocos, veja abaixo:

“O Sr. T..., diz-se, magnetizou o seu cão. A que resultado chegou? Matou-o, porquanto o infeliz animal morreu, depois de haver caído numa espécie de atonia, de langor, conseqüentes à sua magnetização. Com efeito, saturando-o de um fluido haurido numa essência superior à essência especial da sua natureza de cão, ele o esmagou, agindo sobre o animal à semelhança do raio, ainda que mais lentamente."
Esta é uma nítida falta de entendimento sobre o assunto, pois a MAGNETIZAÇÃO é diferente de PASSE ESPIRITUAL e o que o Espírito Erasto nos referiu neste trecho não foi sobre a aplicação de passes espirituais em animais e sim sobre a evocação de espíritos animais em trabalhos mediúnicos;
O passe é sem dúvida um ato de amor na sua expressão mais sublimada (3). Ele é uma transmissão conjunta de fluídos magnéticos – provenientes do encarnado – e de fluídos espirituais – oriundos dos benfeitores espirituais, não devendo ser considerada uma simples transmissão de energia, considerada magnetização (4);
Sabendo que a ação magnética pode se produzir de três maneiras diferentes: a) pelo próprio fluído do magnetizador (magnetismo propriamente dito), b) pelo fluído dos Espíritos (magnetismo espiritual) e c) pelos fluídos que os Espíritos despejam sobre o magnetizador e ao qual este serve de condutor, o fluído espiritual, combinado com o fluído humano chamado de magnetismo misto, conclui-se que nas casas espíritas, os passes que acontecem por lá são considerados o de magnetismo misto pois o passista é um intermediário onde ele doa sim seus próprios fluídos, mas também é através dele que opera os fluídos da Espiritualidade Superior amparando a criatura presente (5);
Logo, vemos que o caso do Sr. T e do óbito de seu cão não ocorreu o passe espiritual (magnetismo misto) como conhecemos e que seria perfeitamente possível para os animais, e sim, o magnetismo propriamente dito onde ele aplicou maus fluídos próprios que interferiu no corpo do animal, sem a atuação dos benfeitores espirituais. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são substâncias alteradas já que trazem o cunho dos sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de violência, de hipocrisia entre outros (5) , portanto sabe-se que o cão não poderia ter morrido pela ação dos amigos espirituais que possuem apenas intenções positivas e benevolentes e sim do próprio médium/magnetizador, o Sr. T que sabe-se lá com qual intenção magnetizou o cão!
Para não restar dúvidas, André Luiz nos traz no livro Conduta Espírita, Cap. 33, Perante os Animais: "No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de NATUREZA MEDIÚNICA que aplique a seu próprio favor.

A luz do bem deve fulgir em todos os planos." e do querido Herculano Pires em sua obra Mediunidade, Vida e Comunicação, Cap. 11, Mediunidade Zoológica: “A ASSISTÊNCIA MEDIÚNICA aos animais é possível e grandemente proveitosa. O animal doente pode ser SOCORRIDO POR PASSES E PRECES e até mesmo com os recursos da ÁGUA FLUIDIFICADA.”

Por que então, não estendermos o recurso dessa terapia simples, sem contra indicação, aos animais? Haverá algum motivo razoável para que não possamos considerá-los nossos irmãos e merecedores de amparo também? Será que estamos ainda prevalecendo um certo pensamento levianamente antropocêntrico em achar que apenas nós, espíritos em fase de humanidade, merecemos os benefícios dos tratamentos espirituais?

Ora, se nós já sabemos que a lei divina institui a solidariedade entre os seres, por isso, podemos facilmente concluir que a nós seres humanos, Deus outorgou a condução e a proteção de nossos irmãos mais novos, os animais! (6) Saibamos portanto convergir o que temos na codificação e nas obras subsidiárias que vieram para colaborar no entendimento sobre os animais e abrir nosso corações para amparar aqueles que também são filhos de Deus.

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(1) Revista Espírita, Setembro, Ano de 1865
(2) O que é o Espiritismo, Allan Kardec, Prêambulo
(3) Livro Obsessão e Desobessão, Suely Caldas Schubert, Cap 26, A Importância da Fluidoterapia
(4) FEB - Federação Espírita Brasileira, "O passe nas reuniões mediúnicas", por Marta Antunes Moura
(5) A Gênese, Os Fluídos, Capítulo XIV
(6) Livro Mandato de Amor, por Geraldo Lemos Neto, respondido por Chico Xavier


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