Uma reflexão sobre Jesus e Espiritismo

Importante artigo escrito por Jorge Hessen a respeito de uma tema "caro" aos "fundamentalistas" espíritas,o que nada soma a doutrina espírita. Transcrevo abaixo (com autorização do autor) o conteúdo, já que faz-se necessário este esclarecimento, ainda mais depois da imensa repercussão dos filmes Chico Xavier e Nosso Lar .

Escrevi há cinco anos sobre o Espiritismo religioso. Citei à época O Controle Universal dos Ensinamentos dos Espiritos – CUEE que foi um método científico empregado pelo Codificador na consolidação da estrutura da Doutrina nascente e na implementação de seus pilotis. Kardec, sabendo que a morte não tornava mais sábio ou mais ignorante o espírito desencarnado, precisava de um critério seguro para poder compilar as diversas informações trazidas pela espiritualidade.

Sabendo que havia espíritos mistificadores, brincalhões e pseudo-sábios, Kardec fez com que todo o conteúdo doutrinário passasse pela filtragem do CUEE, ou seja, toda mensagem ditada pelos espíritos tinha que ser confirmada por diversos médiuns, preferencialmente, sem que tivessem qualquer contato entre si, e que ocorressem quase que simultaneamente. Na Revista Espírita, em abril de 1864, o mestre lionês explica que um homem pode ser enganado, ou mesmo enganar-se.

Contudo, tal fato não se dá, quando milhões de homens vêem e ouvem a mesma coisa: é uma garantia para cada um e para todos. Sabemos que essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui o baluarte do Espiritismo.

O primeiro controle das mensagens é o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. Segue-se, ao supremo controle da razão, a opinião da maioria. Compreende-se que, aqui, não se trata de comunicações relativas a interesses secundários. O controle universal é uma garantia para a futura unidade do Espiritismo e tende a anular todas as teorias contraditórias. Por essa razão, o que torna o Espírito André Luiz ou Emmanuel cridos é que, por toda parte, observamos a confirmação das suas mensagens, através do testemunho de líderes sérios e consagrados no mundo inteiro.

Que influências poderiam exercer André Luiz ou Emmanuel, com suas mensagens, se elas fossem desmentidas, tanto pelos Espíritos, quanto pela liderança espírita mundial? Se um Espírito afirma uma coisa de um lado, enquanto milhões de pessoas dizem o contrário alhures, a presunção da verdade não pode estar com aquele, cuja opinião é única, contrariando as demais.

Há pessoas, nos píncaros do delírio, acreditem!!! Recriando o “Controle Universal dos Espíritos” e, para tais indivíduos, essa é a única forma de se aceitar, com boa margem de segurança, os ensinamentos provenientes, sobretudo, das obras de Chico Xavier. (!!??) Por que essa prevenção contra o médium de Uberaba? Há os que afirmam que Kardec, o Codificador, era o coordenador do Controle Universal.

Depois de sua desencarnação, não houve quem desse seguimento à condição de controlador. Em verdade, esses confrades se apresentam eivados de despeito contra a FEB, informando, com desdém, que os grupos de pessoas, que deram origem à Federação Espírita Brasileira – FEB, criaram um sistema espírita muito diferente daquele idealizado por Allan Kardec e nele nunca esteve presente o Controle Universal dos Espíritos, o que se constituiu numa grave falha Febiana. (sic)

Atestam, os “kardequeólogos” contemporâneos, que apesar de o Espiritismo ter sido introduzido no Brasil por membros da “aristocracia dominante”, no século XIX, houve, desde o início, forte junção da Doutrina com as religiões, principalmente, a umbanda e o catolicismo, ou seja ocorreu o surgimento de um Espiritismo à brasileira, ou à moda da casa. Para esses incautos detratores da Casa-Mater do Espiritismo no Brasil, pretensos “sábios” , tanto os livros de Chico, quanto os do Divaldo apresentam mensagens que nada acrescentam e, até, contrariam a Doutrina .

Acreditem, se quiserem..(!?)

Encharcados de fértil imaginação e intoxicados de raciocínio, reverberam que o jovem “católico”, Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu Mentor Espiritual.

Com isso, todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro foi plasmado por um “misticismo católico”, que, imediatamente, os diretores da Federação Espírita Brasileira (FEB) entronizaram. Com tal misticismo, vislumbraram um meio de divulgar um Espiritismo que fosse aceito pela sociedade brasileira que, então, era católica em sua esmagadora maioria.

Meu Deus!!! Nunca vimos tão incomensurável parvoíce!!

Para tais kardequeólogos, (repito) muitos livros de mensagens psicografadas por Chico Xavier, nada possuem de “específico”, no que se refere à Codificação. São opiniões de Espíritos que têm seu valor, como opinião pessoal (sic), mas não podem ser incorporadas como parte da doutrina básica, pois não se submeteram à chancela da paixão do momento, - o Controle Universal dos Espíritos.

Isso equivale afirmar que, as teses abordadas pelo Espírito André Luiz não receberam a chancela do filão da discórdia (Controle Universal dos Espíritos) e, por isso, as mensagens de André Luiz, de Emmanuel e outros só devem ser admitidas como hipóteses de estudos, até que possam ser submetidas ao “Controle Universal dos Espíritos”, através do aval supremo dessa facção tangida pela histeria.

A rigor o que está escamoteado na retórica desses andróides da ilusão, sob o tema, é, nada mais, nada menos, o aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Isso que estamos chamando de “questão religiosa“ refere-se, obviamente, à discussão que já tem se tornado psicopatológica: saber se o Espiritismo é ou não é religião.

A freqüência com que tal discussão tem acontecido, no âmbito do Espiritismo, é tão grande que já se tornou, há muito, cansativa , estéril e obsessiva. Para tais hermanos, a postura religiosa , Xavieriana, tem um caráter cerceador sobre o crescimento do Espiritismo, enquanto filosofia.(!?)

Acredite de puder!!!

Esses kardequeólogos, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles,obviamente!

Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livrescos, artiguelhos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas dos “sabichões das sombras”.

Queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens . E mais ainda. Jesus Cristo e incomparável em face da dedicação e a santidade que Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados nos pântanos das questiúnculas teológicas , não temos parâmetros para avaliarmos a Sua magna importância para o Espiritismo, isto porque a Sua excelsitude se perde na escura bruma indevassável dos milênios.

Digo mais. O Espiritismo sem Evangelho pode alcançar as brilhantes expressões acadêmicas, mas não passará de atividade fadada a modificar-se ou desintegrar-se, como todas as conquistas perfunctórias da Terra. E o espírita cristão, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Mestre, pode ser virtuose da inteligência, PhD de qualquer coisa e filósofo, com as mais subidas aquisições científicas, mas estará sem bússola e sem norte no momento do “furacão” inevitável da dor moral.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Comentários

  1. Concordo plenamente, não há como e nem deve disvincular Cristo do Espiritismo. É o que eu acho.

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  2. Concordo plenamente com este artigo, pois temos Jesus Cristo como alicerce de tudo e principalemnte do amor ao póximo e da caridade que tanto pregamos no espiritismo, então desvncular Cristo do Espirittismo é difícil e oncorente com que pregamos no nosso cotidiano, até porque o nosso Evangelho é baseado nas palavras de Cristo, por este motivo ainda somos cristãos e bastante ortodoxos... grnade abraço

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  3. É inquestionável a necessidade de confirmações das mensagens, assim como a inclusão da fé raciocinada sempre, isto é ótimo. Até posso acreditar também que ao ser implementado no Brasil, o espiritismo tenha incorporado um pouco da bagagem católica ou umbanda, ou qual nome se queira dar a qualquer outra religião adicional. Esta bagagem veio, sobretudo, pela história cultural do país. E daí? É normal que se absorva um pouco da cultura do país, mas que se saiba extraí-la quando necessário. No entanto, não entendo a necessidade de exclusão de Jesus. Assim como não entenderia a negação absoluta de outros expoentes memoráveis em outras religiões ou filosofias. Tem tanta coisa com a qual deveríamos nos preocupar neste momento, por exemplo, o respeito e o amor ao próximo, respeito por suas opiniões, e principalmente a aceitação de que seja religião ou seja filosofia, a doutrina espírita tem sido um foco de luz e uma grande oportunidade de fé raciocinada na vida de muitas pessoas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo afora.

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