Ambição desregrada

Por Cornélio Pires


Recebi a sua carta,

Meu caro amigo Silvestre,

Você faz uma consulta

Em grave questão terrestre.



Você deseja saber

O que ocorre aos que se vão

Para a vida, além da morte

Em desregrada ambição.



O amigo não desconhece:

Ambição de fazer bem,

Anseio de ser melhor

Não fazem mal a ninguém.



Mas a febre do egoísmo

De quem quer mais, mais e mais

Sem precisão ou proveito

Arrasa as forças mentais.



Nesses casos, a pessoa,

Larga o corpo, exige e erra,

De ilusão para ilusão,

Perambulando na Terra.



Você recorda o Nhô Neca

Que arruinou muita viúva,

Desencarnado é um mendigo

Mas pensa que é manda-chuva.



Depois de morto, o João Panca

Que só queria dinheiro,

Ë vigia de um tesouro

Que enterrou no galinheiro



Nicão despojava os órfãos

Fosse a cara de quem fosse,

Morreu, mas anda chumbado

Ao sítio do Rio Doce.



Depois de deixar o corpo,

A sovina Dona Bela

É vista à porta dos bancos

E diz que os bancos são dela.



Finou-se a falar em ouro

O nosso Nhonhô da Mata,

Ela agora cata pedras,

Achando que ajunta prata.



Passeando bens dos cegos,

Desencarnou Mano Landi,

Pelo remorso, é um fantasma

Assombrando a Roça Grande.



Tomou muita terra alheia

Nhô Chico do Lavajão,

Desencarnado ele clama

Em sete palmas de chão.



Morreu louco de avareza

O esperto Quinquim de Souza,

Tendo acordado na tumba

Quer vender a própria lousa.



Guarde a certeza, meu caro,

Na trilha da criatura,

Ambição mais ambição,

A soma é sempre loucura.



Louva a paz do necessário

Que o trabalho nos consente,

Tudo aquilo que é demais

É desarranjo na mente.



Você mais cedo ou mais tarde,

Tal qual comigo se deu,

Ressurgirá no outro mundo,

Sozinho como nasceu.



Do livro Retratos da Vida, cap. 14, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.
Fonte: o Consolador
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Sobre o autor: CELESFA

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