Raios Cósmicos e Buracos Negros

MALARGÜE, Argentina – Cientistas anunciaram nesta quinta-feira (8 de novembro) que os Núcleos Ativos de Galáxias (AGN, na sigla em inglês) são os candidatos mais prováveis para a origem dos raios cósmicos de energias elevadas que atingem a Terra. Por meio do maior observatório de raios cósmicos do mundo, o Pierre Auger, na Argentina, uma equipe de pesquisadores de 17 países descobriu que as fontes das partículas de energias elevadas não estão distribuídas uniformemente no céu. Pelo contrário, os resultados relacionam as origens destas partículas misteriosas às posições de galáxias vizinhas que possuem núcleos ativos em seus centros. Os resultados completos estão publicados na edição de 9 de novembro da Revista Science.

Acredita-se que os Núcleos Ativos de Galáxias sejam ativados por buracos negros supermassivos que devoram grandes quantidades de matéria. Há muito tempo eles têm sido considerados como prováveis regiões onde ocorre a produção de partículas de energias elevadas. Eles engolem gás, poeira e outras matérias de suas galáxias anfitriãs e expelem partículas e energia. Enquanto a maioria das galáxias possui buracos negros em seu centro, apenas uma fração de todas as galáxias possui um AGN. Ainda é um mistério o mecanismo exato pelo qual os AGNs conseguem acelerar partículas com energias 100 milhões de vezes mais elevadas do que o acelerador de partícula mais poderoso da Terra.

"Demos um grande passo adiante para resolver o mistério sobre a natureza e origem dos raios cósmicos de energias elevadas, primeiramente revelados pelo físico francês Pierre Auger em 1938", disse o vencedor do Prêmio Nobel James Cronin, da Universidade de Chicago, que idealizou o Observatório Pierre Auger junto com Alan Watson da Universidade de Leeds. "Nós descobrimos que o céu do Hemisfério Sul observado através de raios cósmicos de energias elevadíssimas não é uniforme. Esta é uma descoberta fundamental. A era da astronomia de raios cósmicos chegou. Nos próximos anos nossos dados permitirão identificar as fontes exatas destes raios cósmicos e como elas aceleram estas partículas".

Os raios cósmicos são prótons e núcleos atômicos que viajam através do universo com velocidade próxima a da luz. Quando estas partículas se chocam na atmosfera superior de nosso planeta criam uma cascata de partículas secundárias, chamada de chuveiro atmosférico, que pode se espalhar por 40 ou mais quilômetros quadrados (15 milhas quadradas) à medida que atinge a superfície terrestre.

"Este resultado anuncia uma nova janela para o universo próximo e o início da astronomia de raios cósmicos", disse Watson, porta-voz da colaboração Pierre Auger. "Conforme coletamos mais e mais dados, podemos olhar para as galáxias individuais de uma maneira detalhada e completamente nova. Como havíamos antecipado, nosso observatório está produzindo uma imagem nova do universo baseado em raios cósmicos ao invés da luz".

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Sobre o autor: CELESFA

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