A mudança inicia dentro de nós

Bom-dia leitores do blog do CELE,

Conforme prometido em nosso periódico Fala Chiquinho!, segue o artigo completo escrito pela nossa colega Janine Pontes. Esperamos que o gesto da Janine seja um catalisador (desculpem, mas não achei outra palavra mais adequada!), para todos aqueles que queiram colaborar conosco. Abraços a todos!


Querido leitor, a idéia inicial deste texto seria a de tentar esclarecer um assunto motivo de questionamentos de muitas pessoas que procuram respostas para as tragédias que acontecem em suas vidas e na de seus irmãos, especialmente aqueles eventos caracterizados como desencarnes coletivos. Mas como tudo muda, esta mensagem voltou-se para um enfoque diferente do objetivo inicial.

Se, por um lado, tendemos a aceitar que diversos desencarnes coletivos, conforme relatos encontrados na literatura espírita e em psicografias de médiuns idôneos, estão de acordo com a Lei da Causa e do Efeito, não podemos fechar os olhos para o que acontece no mundo. Simplificar as razões relacionadas a dívidas das vítimas desses desastres seria também imprudente de nossa parte.

Não podemos nos esquecer que essas tragédias, muitas vezes, decorrem do descaso das autoridades que, de uma forma ou de outra, são responsáveis pela condução de inúmeras vidas humanas. Autoridades estas que não estão só no meio político, mas também empresarial. Descasos estes que desencadeiam também a fome, a miséria, a violência, resultando todos os dias em grandes tragédias coletivas. Muitas delas poderiam ser evitadas.

Entretanto, não cabe aqui apontar culpados. Até porque acima de tudo existe Deus que sabe o que é melhor para nós. Mas vamos tentar conduzir o leitor a uma reflexão acerca de sua missão neste planeta. As grandes transformações por que passa a Terra premem por uma mudança de atitude. Uma transformação profunda que deve ocorrer partindo do interior de cada um de nós. A tão falada reforma íntima, extremamente necessária, mas muito difícil de ser realizada, porque nos pede que trilhemos o caminho do autoconhecimento, o que nos exige muita mobilização, disposição e coragem para enfrentarmos nossas próprias sombras.

O que nos acontece é decorrência de nossas ações. O amor incondicional expande nossa consciência em relação a Deus. A nossa ignorância nos limita a percepção da essência divina, dificultando-nos enxergar a realidade que vive além dos corpos físicos e que mora dentro de nosso espírito.

Para toda ação existe a reação, para cada pergunta existe resposta. Esse mecanismo é melhor entendido quando iniciamos a nossa reforma interior. Mas ela só pode ser feita quando nos dispomos a trilhar o caminho do autoconhecimento, o único que nos conduz à evolução. Ter consciência de nosso funcionamento interno é fundamental para que possamos compreender o que temos a melhorar e como devemos fazê-lo.

No caminho do autoconhecimento nos deparamos com nossas sombras, nossos defeitos, nossos erros. É um percurso cheio de idas e vindas, de obstáculos, de medos, de culpas, de dúvidas e de dor. Todavia é ele que nos liberta da ignorância. Ele é nossa cura. Nele nos purificamos e potencializamos nossas virtudes. É ele que nos conduz à percepção da eternidade, ao nosso destino que é a ascensão infinita.

Somos parte de Deus e Deus é luz. Se é luz, nós também somos. Apesar de sermos luz, nascemos puros e ignorantes. A nossa ignorância nos leva à impureza. Para que o espírito possa se sentir purificado e ampliar sua consciência em direção a Deus, ele reencarna inúmeras vezes, pois o espírito não consegue aprender tudo de uma vez. Em cada existência existe uma lição a ser assimilada e ajustes a serem feitos.

Vamos imaginar que cada espírito é um construtor. Cada existência ou encarnação é um prédio construído por nossas mãos. Deus preparou para nós um belo alicerce, o planeta Terra com suas diversificadas formas de vida, umas para nos servir de abrigo, outras para nos servir de alimento, de instrumento, outras para serem nossas companheiras, para serem nossas protetoras.

Deus também nos deu o material para a construção de nossos prédios, um corpo com capacidades físicas, motoras, mentais, psíquicas, intelectuais e emocionais. Também nos deu as ferramentas necessárias à construção do prédio, ou seja, de nossas existências, que aqui serão representadas pelo livre-arbítrio e a missão.

Pensemos, então, que o primeiro material doado por Deus ao nosso espírito ignorante foi um corpo físico rudimentar adequado à sobrevivência no planeta, com limitadas capacidades intelectuais, mentais, psíquicas e emocionais, mas com grande força física.

Por ser rudimentar, as ferramentas (missão e livre-arbítrio) por ele utilizadas não poderão ser muito sofisticadas, sendo empregadas para a construção de um prédio (existência) que atenda às suas necessidades básicas e instintivas. Daí o porquê da primeira edificação (existência) ser tosca e simples.

À medida que o construtor vai experimentando novas maneiras de aproveitar o material fornecido por Deus (corpo com capacidades), ele vai aprendendo a manejar melhor as suas ferramentas (livre-arbítrio e missão) e adquirindo novas técnicas (conhecimento) para a construção de seu prédio (existência atual) e de suas futuras obras (existências futuras).

As construções (existências) vão ficando mais complexas, porque o construtor (espírito) já adquiriu melhores técnicas (mais conhecimento) e Deus então lhe aprimora o material (corpo físico, capacidades intelectuais, motoras, psíquicas e emocionais) para a edificação de seus prédios. Assim o construtor recebe melhores condições de manejar suas ferramentas (missão e livre arbítrio). Suas ferramentas acompanham o seu desenvolvimento, sendo, portanto, aperfeiçoadas e, às vezes, criadas pelo próprio construtor. Com o avanço, a tendência é a de que seus prédios se tornem mais resistentes, mais belos e mais ricos em detalhes.

Todavia, a complexidade das construções (existências) exige maior atenção do construtor (espírito). E o construtor pode não estar atento aos detalhes. Arruma a fachada (matéria) e realiza alguns reparos superficiais no interior para evitar problemas mais visíveis. Pois, para ele, é mais fácil, é mais cômodo e aparentemente se perde menos tempo.

Se ele não utilizar corretamente o material que Deus lhe deu (corpo físico com as capacidades) e não buscar adquirir novas técnicas (conhecimento), suas construções (existências) poderão começar a apresentar problemas, como infiltrações, rachaduras, etc (erros, falhas, sentimentos negativos).

Se esses problemas (erros, falhas, sentimentos negativos) não forem detectados pelo construtor, eles continuarão se projetando no futuro, podendo até aumentar. Se o construtor percebeu e, mesmo assim, não lhe deu a devida importância, no próximo prédio (existência), ele correrá o risco de incorrer no mesmo erro e, o que é pior, mesmo que tente solucioná-lo poderá não saber mais como, porque ele ignorou a causa em seus trabalhos anteriores.

Até que chega o momento em que ele não consegue construir um novo edifício, porque lhe falta a técnica principal (autoconhecimento) que, por ignorância, por descuido ou por comodismo não conseguiu apreender, utilizar ou aprimorar em seus trabalhos anteriores. Ele encontra, então, uma série de entraves para dar andamento a seu novo projeto (existência). É nesse momento que ele precisa realizar o caminho de volta (autoconhecimento) até descobrir onde falhou, para poder desenhar seu projeto com mais segurança. Ele aprende, dessa maneira, que é preciso estar atento aos detalhes, estudar e buscar sempre o aperfeiçoamento para que suas edificações sejam fortes, sólidas e duradouras.

Esta é só uma alegoria de nosso funcionamento interno, mas que apresenta como vamos sendo lapidados por meio da reencarnação. No início somos toscos, ignorantes, agimos instintivamente. Nossa missão é a satisfação de nossas necessidades básicas e nosso livre-arbítrio, o instinto. À medida que passamos a interagir com a natureza e com os outros espíritos, nos descobrimos seres sociais. Iniciamos a explorar e a desenvolver nossas capacidades físicas, intelectuais, psíquicas, emocionais. Damo-nos conta que podemos utilizar as ferramentas que Deus nos deu para construirmos nossas vidas, transformar a realidade e satisfazer nossas necessidades que se tornam cada vez mais complexas.

Nesse estágio, em que adquirimos a consciência do desenvolvimento de nossas capacidades e que tornamos as necessidades cada vez mais complexas, apresentam-se dois caminhos: utilizar de maneira correta ou incorreta as ferramentas que Deus nos deu (missão e livre-arbítrio).

Utilizamos de maneira correta se, ao longo das encarnações, conseguimos perceber nossas falhas a tempo de corrigi-las, sem deixar que elas virem uma bola de neve em futuras encarnações. Nesse processo, vamos percebendo de uma maneira mais natural e menos drástica que nossas complexas necessidades não são saciadas pelo mundo material. Assim adquirimos a consciência da espiritualidade, de nossa essência divina e eterna. Promovemos o crescimento integral do nosso Ser - físico, intelectual, psicológico, emocional e espiritual.

Por outro lado, e é o que acontece na maior parte dos casos, na ilusão de que é mais fácil e mais cômodo, escolhemos o caminho mais doloroso, o mais difícil, utilizando de maneira incorreta a nossa missão e o livre-arbítrio. Mesmo que tenhamos desenvolvido capacidades intelectuais, físicas, emocionais e psíquicas de maneira razoável, sem a consciência de que somos espírito, crescemos lentamente.

A ignorância espiritual coloca nossas capacidades a serviço do orgulho e da vaidade. Estes, por sua vez, nos induzem a idéia de que a realização de nossas complexas necessidades está na satisfação dos instintos, na posse de bens materiais e em sentimentos obsessivos e/ou possessivos em relação ao próximo.

Quando enveredamos por esse caminho nos perdemos, ficamos cegos, comprometemos, inclusive, o corpo e suas capacidades. Contraímos dívidas para com os irmãos. Ficamos cada vez mais reféns da Lei da Ação e Reação e das reencarnações dolorosas. Caímos inúmeras vezes, levantamos outras tantas. Dependendo do grau de nossa cegueira, chegamos até a precisar reencarnar, para ir aos poucos, resgatando, inclusive, as capacidades físicas, psíquicas ou intelectuais.

Castigo de Deus? Não, resultado de nossa própria ignorância. A Espiritualidade Maior nos ampara, Deus nos ama e nós é que criamos nossos próprios fins.

Mas, felizmente, chega o dia em que despertamos a nossa consciência, percebendo que as angústias não se extinguem com uma favorável posição social, financeira ou um amor possessivo pelo nosso semelhante. Damo-nos conta que os prazeres materiais nunca nos fizeram crescer, que são ilusórios. Procuramos enxergar além do que os nossos olhos físicos vêem.

É nesse momento em que nos deparamos com uma dura realidade - há muito pó debaixo do tapete - e que, para ter forças para enfrentar a faxina, só há um único meio, o autoconhecimento. Por esse caminho, vamos encontrar a culpa e a dor. Aliás a culpa é a própria dor. A dor é necessária, pois é por meio dela que sabemos onde está a ferida e de que mal sofremos.

Imaginemos que estamos com uma doença grave, mas não apresentamos qualquer sintoma. Certamente não vamos procurar atendimento médico, porque não sabemos que sofremos da moléstia. Assim é a com a ignorância espiritual, ela não deixa ver o mal que causamos a nós e a nossos irmãos. Só o despertar da dor pelos atos cometidos nos faz perceber a doença.

Se a culpa é a dor, ela, então, é necessária para detectar a doença durante o processo. Porém, a culpa não pode dominar todo esse processo, ela é o diagnóstico, mas não o antibiótico. Para curar também é preciso auto perdão e autocompaixão, sem esses dois remédios não é possível seguir em frente.

A ignorância está presente em nossa caminhada juntamente com o conhecimento e a sabedoria até que consigamos superar nossas impurezas. A ignorância sempre existirá no universo, porque é por ela também que se chega à sabedoria infinita. Se compreendermos e interiorizarmos isso, seremos mais tolerantes para com nossos irmãos, principalmente com aqueles que ainda estão cegos de sua essência divina. Principalmente para com aqueles que ainda não descobriram que o único jeito de encontrar a paz é promovendo a reforma íntima.

Se encontrarmos uma porta estreita e cheia de questionamentos é por essa que devemos entrar. Ela é a única que pode nos levar ao encontro do amor incondicional, a energia que nos faz sentir em Deus e tão perto de todos os seres. Nesse caminho, percebemos o quanto somos amados por Deus e amparados pela Espiritualidade, mas também onde percebemos que as escolhas só nós podemos fazer e que, para tomar as decisões com segurança, é preciso antes de mais nada conhecer-se.

Compreendendo a nós mesmos, compreendemos os nossos irmãos. Praticando o amor para conosco, praticamos o amor para com o irmão. Enxergando a luz que existe nos olhos do outro, estamos vendo refletida a luz que existe em nós.

Por isso, ao invés de procurar respostas para a partida muitas vezes repentina de nossos irmãos ou tentar matar a curiosidade em relação a isso, vamos saciar nossas necessidades no caminho da cura de nossas próprias aflições, pedindo proteção aos nossos irmãos maiores, que estão sempre nos auxiliando nessa jornada. Elevando nosso pensamento para que nós e nossos irmãos encarnados e desencarnados possamos perceber e nos encontrar no amor que vem de Deus, como uma grande corrente de Paz e de Luz. Afinal todos somos filhos amados de Deus.

Janine Ponte - Jornalista
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Sobre o autor: CELESFA

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