Bezerra de Menezes: o médico dos pobres


Em breve, todos os cinemas do território nacional estarão exibindo o primeiro longa-metragem cearense. Realizado com avançada tecnologia digital, o filme "Bezerra de Menezes: Médico dos Pobres" fará uma reconstituição de época, para representar o Ceará e o Rio de Janeiro do século XIX. A vida de Bezerra de Menezes será contada com relatos de pesquisadores de sua obra e cuidadosa pesquisa histórica de seu biógrafo Luciano Klein. Veja o trailer no You Tube, clicando no link:

http://youtube.com/watch?v=NIsmtkniZx4

Passagens ficcionais também foram inseridas, apesar de serem dispensáveis, diante da personalidade grandiosa e extenso rol de trabalhos realizados pelo inesquecível Médico dos Pobres, apelido que lhe foi dado por zombaria, mas que ele aceitou com orgulho, dizendo depois que foi o mais honroso título que recebera.

Nascido no dia 29 de agosto de 1831, na cidade de Riacho de Sangue, hoje Jaguaretama (CE), Adolfo Bezerra de Menezes, sempre persistindo no bem e na solidariedade com esforço e dedicação, alcançou as condições de médico, jornalista e político. Não se preocupava com dinheiro. Era-lhe apenas um meio e não um fim.

No consultório, quem tinha posses pagava o atendimento. Mas na sua casa, receitava os que não podiam pagar. Talvez sob olhares atravessados de alguns, Bezerra afirmava: "O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida".

Bastava ver um faminto, um sofredor à sua frente e lhe dava tudo o que tinha nos bolsos. E, quando não tinha dinheiro, doava algo de si: um abraço, um olhar, uma prece. Dava o que possuía. Certa feita ao prescrever medicamentos para uma mulher, esta lhe comentou que não tinha nem para a comida, imagine para remédios. Bezerra procurou nos bolsos e nada encontrou. Tirou seu anel de formatura e, sem pestanejar, deu para que ela vendesse e comprasse o necessário.

Tornou-se adepto do espiritismo em 1886. É chamado à presidência da Federação Espírita Brasileira em 1895. Em janeiro de 1900 sofreu um derrame que o deixou totalmente imobilizado. Em 11 de abril, sentindo que se aproximava o momento de seu desencarne, pediu que o ajudassem a levantar-se um pouco e, com a cabeça erguida, olhos voltados para o Alto, orou baixinho entre lágrimas à Virgem Santíssima, para que intercedesse pelos irmãos que ficavam. E desencarnou. No seu enterro, pobres e ricos da cidade do Rio de Janeiro choravam como que separados de um pai, do maior dos seus amigos.

Bezerra de Menezes foi recebido no mundo espiritual por uma assembléia agradecida pelos benefícios e consolos que proporcionou. Em 1950, pelo seu merecimento, Maria de Nazaré chamou-o para ascender às zonas superiores, mas ele preferiu ficar em planos próximos a seus pobres e doentes. Continua tarefeiro incansável, atendendo e iluminando seus irmãos aqui da Terra.

Comentários