Eles não Morreram

Editorial do Grupo de Estudos Avançados do Espiritismo (GEAE) - http://www.geae.inf.br

Amigos,

O editorial original desta edição estava destinado a abordar o tema da arte de viver, a ética, sob o enfoque espírita. Falaríamos de como o conhecimento da vida espiritual traz novas perspectivas para o ser humano, que o auxiliam a balizar sua ação na terra. Abordaríamos a questão da ação correta e das conseqüências para o ser que se desvia do caminho do bem. Frisaríamos que a impunidade é uma ilusão, que as leis morais que regem o Universo fazem com que cada um receba o retorno "segundo suas obras". Que o Céu e o Inferno são, em essência, estados de espírito, resultados naturais do nosso agir. E lembraríamos que em 1865, ano tratado na Cronologia Espírita desta edição, Kardec lançou o livro da Codificação onde analisa detalhadamente a situação dos espíritos desencarnados e a relação dessa situação com seu agir. "O Céu e o Inferno" é uma obra extraordinária, talvez não tanto conhecida como "O Livro dos Espíritos" ou o "Evangelho segundo o Espiritismo", que fundamenta experimentalmente a ética espírita. A razão de acreditarmos em reencarnação ou em lei de causa e efeito não é porque são conceitos milenares, mas sim porque são fatos revelados em minuciosa pesquisa. Falaríamos também do texto do Raul, que trata da questão de se reconhecer a realidade da vida para se agir de acordo com ela, e do estudo do Ivan, que mapeia a extensão do movimento espírita.

Mudamos a linha do editorial porque a distribuição da edição atrasou e, no dia 17 deste mês, ocorreu o trágico incidente de Congonhas. As causas materiais desse acidente estão sendo investigadas por vários orgãos e instituições, possivelmente serão descobertas e medidas corretivas tomadas. Não trataremos delas, porque o que está dentro do escopo de nosso estudo são as dimensões espirituais do trágico evento.

Em diversas tragédias do passado, como os tristes eventos dos incêndios nos edifícios Andraus e Joelma, o plano espiritual manifestou-se lembrando-nos que a vida espiritual é a verdadeira, que a morte não existe. Que nossos entes queridos, desencarnados nessas circunstâncias tão trágicas, continuam a viver. Que no plano espiritual há grande movimentação durante esses acontecimentos e equipes de socorro mobilizam-se para ajudar as vítimas. Essas vítimas quando se comunicam relatam que os momentos de dor foram breves. Ao se darem conta de si mesmas, já no plano espiritual, estavam sob amparo de enfermeiros, médicos e amigos. Um exemplo dessas comunicações são as mensagens recolhidas no livro "Somos Seis" de Francisco Cândido Xavier.

Relatam os espíritos também que o acaso não existe. Leis que ainda não compreendemos e processos que nos são desconhecidos aproximaram os seres que necessitavam passar pela situação difícil ocorrida. Alguns porque necessitavam da experiência para ganhar nova compreensão de suas vidas, outros porque, antes da presente existência, assumiram o compromisso de ajudarem o progresso humano. Tragédias da dimensão do Andraus, do Joelma e da desta semana, marcam profundamente a sociedade e, se não levam a melhorias imediatas, plantam a semente de transformações a médio e longo prazo. Principalmente porque lembram a todos como nossa tecnologia é frágil e quão precária é nossa estadia neste plano material.

Juntamos, assim, nossas preces a todos que neste momento oram pelas vítimas do acidente. Não somente pelos desencarnados, mas também pelos seus familiares atingidos pela dor da perda e pelo impacto dos acontecimentos. Oramos também por aqueles que deixaram de tomar as ações necessárias, nos momentos corretos para evitar a tragédia, pois começam longa jornada de remorso e reparação.

Finalizando o editorial, gostaríamos de lembrar alguns trechos das mensagens de Volquimar Carvalho dos Santos, jovem desencarnada no incêndio do Joelma, ocorrido em fevereiro de 1974, aqui na cidade de São Paulo, registradas no livro "Somos Seis":

"Creia. Se pudéssemos, nós os que vamos melhorando, participar a todas as mães e pais, principalmente, que os filhos não morreram, encontraríamos nessa possibilidade a maior alegria (...) Quisera que todos se dirigissem aos entes amados, explicando que prosseguem lutando e aprendendo, renovando e melhorando (...) Nós o que chegamos ao Mais Além, pelas bênçãos de fevereiro, há dois anos passados, estamos nas tarefas felizes do amparo mútuo"

Que a Paz de Deus esteja com todos,
Os Editores
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Sobre o autor: Geraldo V Laps

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