No reino do pensamento

Eurípedes Kühl

Deus cria sem cessar!

Dentre todas as sublimes criações divinas, destaca-se a da nossa criação, concedendo a cada um de nós um figurativo reinado, no qual somos soberanos absolutos.

Nesse reinado, o rei é o Espírito e o reino, o do pensamento.

Na origem, cada “rei” tem a mesma constituição, características e meios de todos os demais incontáveis “reis” criados por Deus, aos quais, invariavelmente, dá idênticas, intransferíveis e inexoráveis condições de progresso e alcance da felicidade, destinação essa pela qual respondem de forma integral.

Assim, em cada reino, tudo de bom ou de mau que existiu, existe ou existirá, tem como responsável único o rei, o qual, num efeito que promana do “escalão superior”, também cria sem cessar, utilizando os seguintes instrumentos:

a mente: age qual dínamo gerador, proporcionando força criativa;

a vontade: é uma usina, cuja função é armazenar e distribuir a força gerada por aquele dínamo (a mente);

o cérebro: instrumento que traduz a mente e gerencia não só a formação dos pensamentos, como também sua ação, física ou extrafísica; e indutores na criação dos pensamentos;

as emoções: resultam da expedição ou recepção dos pensamentos, próprios ou captados;

as idéias: são as elaborações originais do pensamento.

a) Características das criações do rei:

– Utilizando a fonte inesgotável do fluido cósmico universal, o rei cria súditos até mesmo quando está dormindo... tais súditos são chamados de pensamentos ;

– sem forçar uma definição, talvez nos seja permitido ao menos depreender que os pensamentos podem ser considerados como subprodutos do fluido cósmico universal, que emana de Deus(1); no mesmo instante em que nascem, os pensamentos se tornam algo palpáveis (passam a ter vida própria), podendo ser bons ou maus, dependendo da disposição do rei no momento em que os criou(2);

– dentro desses dois parâmetros

– bem e mal – os pensamentos agem quais súditos extremamente fiéis e podem durar um segundo ou séculos;

– todos os pensamentos são fotografados no nascedouro(3) e em seguida recebem uma ficha individual que é guardada num arquivo perpétuo, chamado memória ;

– alguns desses súditos permanecem no reino, outros são remetidos mas, quase sempre, a maioria deles é arremessada coletivamente em todas as direções;

– como no mundo existem bilhões de Espíritos, a emitirem trilhões de pensamentos, é inexorável que pela força invencível de atração (sintonia) todos aqueles que trafegam em ondas de igual vibração se ajuntem, passando a perambular pela psicosfera;

– assim, ao léu, acoplados, formam torrentes vibratórias poderosíssimas, não raro se tornando autônomas... e desobedientes;

– os pensamentos que permanecem no interior do reino são aqueles que gravitam apenas em torno do próprio rei; quase sempre saem de cena e dão lugar a novos colegas; se, ao contrário, permanecerem ativos e em período integral, muito além de um período razoável, transformam-se em “idéias fixas”;

– quando as idéias fixas são de boa natureza, podem gerar boas realizações; contudo, se forem de natureza perturbada – e é isso que geralmente ocorre –, geram obsessão ;

– se um pensamento em particular passa a gravitar na mente do rei, repetindo sua elaboração, além de se tornar uma “idéia fixa” assumirá a forma de criatura viva, daí ser chamado de “forma-pensamento” (4);

– quanto aos pensamentos que são enviados para um determinado “reino”, depois de terem se tornado “idéia fixa” e de terem assumido forma, estarão animados de grande força, quase invencível, além de possuírem a incrível capacidade de se deslocar e chegar ao destino com velocidade muito superior à da luz(5);

– forçoso será admiti-lo: todos os pensamentos enviados a determinado destino (outro Espírito), independentemente de serem ou não “recebidos” pelo destinatário, tornam-se reverberantes, isto é, retornam como “recibos infalíveis” à fonte emissora, nela produzindo as sensações de que se equipavam(6);

– as formas-pensamento que se transformam em figuras vivas propagam-se e se adaptam à emoção de quem as capta. Exemplos: um católico ajoelhado diante de uma imagem de Nossa Senhora emite uma vibração, cuja onda, ao alcançar um espírita, poderá induzi-lo a mentalizar Jesus; num mulçumano, Alá; no hindu, Krishna; no oriental, Buda, e assim por diante;

– os pensamentos têm peso(!) no campo da mente, conforme a sua natureza, para o bem ou para o mal(7);

– todos os deslocamentos se dão por ondas vibratórias e têm livre trânsito, tanto no plano físico como no extrafísico; quando os pensamentos são benignos, levam bem-estar, alegria, saúde; ao contrário, carreiam angústias, tristeza, doenças(8);

– com referência aos deslocamentos físicos ou extrafísicos dos pensamentos, sabe-se que a única barreira que pode impedi-los de alcançar o destino é a falta de sintonia, por parte do destinatário, cuja vibração mental seja inversa à que tenta visitá-lo;

– havendo sintonia, o pensamento é contagioso, tanto quanto uma nota musical tocada no piano ou o som de um violino ressoarão em instrumentos semelhantes, desde que tenham a mesma afinação;

– citada sintonia dá-se pela lei das atrações, unindo vibrações similares, as quais se fixam numa ou mais de uma das infinitas hastes (reencarnações) que compõem o leque moral do destinatário;

– é dessa forma que nascem todas as construções, de amor ou de ódio, do perdão ou da vingança;

– o maior cuidado que nos assiste na criação de formas-pensamento reside no perigo de elas se transformarem em verdadeiros carcinomas, monstruosos “seres” automatizados e atuantes (...) capazes, em certos casos, de subsistir até por milênios inteiros de tempo terrestre (...) (9).

b) Viagens do rei:

– O rei (Espírito) faz permanentes viagens de ida e volta, seja ao plano físico, seja ao espiritual, para estágios de aperfeiçoamento, em períodos nem sempre iguais;

– quando viaja para uma ou outra dimensão o rei leva consigo todos os cidadãos do seu reino (os pensamentos); a única diferença nesses estágios alternados é que quando estão no plano espiritual esses cidadãos ficam nus... Dizendo de outra forma: desvestem-se da roupagem terrena que os encobria e ficam expostos à visão dos demais transeuntes daquele plano...

É por esse pequeno detalhe que quando a “comitiva real” chega àquele plano é imediatamente identificada, quanto à sua condição moral...(10)

– quando o rei retorna à dimensão física traz os súditos, adormecidos; aos poucos, vai despertando e reconhecendo-os e logo trata de vesti-los com trajes fornecidos não só pelas chamadas “convenções sociais”, mas principalmente pelo gosto, enraizado...

c) Utilizando a bênção de poder pensar:

– De posse dos conhecimentos acima, o Espírito poderá utilizar a dádiva divina que é a capacidade de elaborar pensamentos, não necessitando de grande esforço para integrar-se à grande obra de Deus, que visa ao bem de toda a Humanidade;

– um exercício que se mostrará de grande utilidade é criar o hábito da auto-análise, imaginando que a consciência é um espelho, perguntando-lhe (e estando preparado para as respostas...):

– de onde me veio esse pensamento?

– o que estou pensando é bom? (11)

(havendo sinceridade, logo o diagnóstico surgirá...). >

Quando viaja para uma ou outra dimensão o rei leva consigo todos os cidadãos do seu reino (os pensamentos) >

– durante o sono, o Espírito poderá (no “plano astral”) empregar seus conhecimentos e sua boa vontade em benefício próprio e do próximo: para si, freqüentando cursos de conteúdo moral elevado, e para o próximo, integrando-se como doador voluntário do seu potencial energético (ectoplasmático) às caravanas socorristas que atuam caridosamente nos dois planos;

– ninguém jamais está só: antes da presente existência, cada Espírito teve muitas vidas, muitas famílias. Assim, em algum lugar, Espíritos encarnados ou desencarnados seus conhecidos estarão também caminhando rumo à evolução; se forem deixadas abertas as portas da casa mental, é certo que esses amigos o visitarão, seja na vigília, seja principalmente durante o desdobramento do sono;

– o Espírita compreende que discussões estéreis e sonhos quiméricos constituem tremendos exaustores de energia mental e por isso os evita;

– tudo o que tiver que ser feito deverá buscar a melhor maneira possível de fazê-lo, e isso só será conseguido quando o agente estiver concentrado apenas naquilo que faz;

– na Terra, a Natureza faz com que o Sol brilhe todos os dias e as estrelas surjam todas as noites na tela celeste (isso, há mais de 4 bilhões de anos!); raciocinando nisso não fica difícil desenvolver o sentimento da fé em Deus;

– jamais permitir que na casa mental se hospedem a cólera, a impaciência, a irritabilidade, a ironia ou o ciúme: sabe-os inquilinos arruaceiros da boa ordem espiritual;

– o minuto caridoso – material (doação), oral (palavra) ou mental (prece em favor do necessitado) – é chance imperdível;

– os tigres adormecidos do atavismo (germens psíquicos do mal) não devem ser acordados pelas revivescências no presente: pelo exaustivo treinamento da reforma moral devem ser considerados proveitosas lições do passado, para jamais repeti-las;

– ao pensarmos em alguém, elejamos apenas suas boas qualidades (se não as tem, vamos criá-las e endereçá-las a ele, onde formarão alicerce na casa mental).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1- XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz. 20. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. XIII, p. 95 e 100.
2 -Id. Ibid., cap. XIII, p. 95 e 100.
3 -KARDEC, Allan. A Gênese, 41. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. XIV, item 15.
4 -XAVIER, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 29. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. 1.
5 -_____. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 23. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. 4.
6 -Id. Ibid., cap. 4.
7-_____. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 29. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. 5 e 19.
8 -Id. Ibid., cap. 5 e 19.
9 -SANT'ANNA, Hernani T. Universo e Vida, pelo Espírito Áureo. 5. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1998, cap. 5, item 7, p. 80.
10 -XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 23. ed., Rio deJaneiro: FEB, 2002, cap. 5.
11- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, 83. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, Parte 2a, cap.IX,

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Sobre o autor: Geraldo V Laps

1 Comentários:

  1. Anônimo11:30 AM

    Companheiros, .
    Muita paz!
    Desculpem-me a invasão.
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