Lei da Liberdade e Saúde Mental

Sérgio Lopes

Livro dos Espíritos, questão 843 - Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

"Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina".
A liberdade de pensar está condicionada à capacidade interna do indivíduo. Quanto melhores as condições internas tanto maior a capacidade de pensamento. Nem todos temos os mesmo recursos criativos. Há pessoas com mais criatividade, outras com menos. Esses recursos dependem do nível evolutivo de cada um. É no decurso das várias vidas que vamos conquistando um merecimento maior ou menor diante das leis universais. A partir daí, teremos as condições em que nasceremos e nos desenvolveremos na vida atual.

Sabe-se atualmente que a capacidade de pensar se desenvolve conforme as condições do desenvolvimento emocional de cada um. O espírito trás sua bagagem própria, mas é no somatório dessa bagagem com as condições da vida atual que a capacidade de pensar irá se formando. As condições orgânicas, as vivências do ambiente em torno, a experiência intra-uterina, as vivências afetivas da primeira infância e todo o desenrolar do crescimento, são fatores determinantes, da vida presente, de como a pessoa irá sentir-se na vida adulta.

Às vezes achamos que as pessoas pensam porque falam. Mas, há muita gente que fala e fala até bastante, só que o seu falar não é fruto de um pensamento próprio. Por exemplo, muitas vezes acabamos dizendo coisas que não são exatamente idéias nossas e sim, repetições do que estamos acostumados a ouvir, seja porque estamos inseridos num ambiente cultural que pensa de um jeito, ou porque fomos ensinados desde a infância a pensar de uma determinada forma.

Muitas pessoas dizem freqüentemente: " - Eu não sei o que pensar a respeito disso...- " São tantos os momentos em que não sabemos qual o nosso verdadeiro pensamento a cerca de alguma coisa, ou até mesmo ficamos confusos com o que é nosso e o que é dos outros.
Outras pessoas referem que têm a permanente sensação de que não estão sendo verdadeiras, como que ao se expressarem, embora dizendo coisas que pensam, têm uma sensação de falsidade em si mesmas. Normalmente são pessoas que acabam evitando ao convívio com os outros porque se sentem mal toda a vez que são convidadas a falar.

O indivíduo só é livre quando consegue enxergar a si mesmo enquanto se expressa, ou seja, quando sabe que está sendo ele próprio em palavras, ações e sentimentos.
Esse estado de sanidade talvez seja um dos principais objetivos de nossa existência.
(jornal "Diálogo Espírita" setembro/outubro de 2002)
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Sobre o autor: Geraldo V Laps

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