Perda da mediunidade

Às vésperas da estréia de O Profeta, novela exibida pela Rede Globo, comentávamos neste espaço que a trama se daria em torno do personagem Marcos, portador da faculdade mediúnica e que, por ganância, se desviaria da sua missão com conseqüente perda da mediunidade. Quem assiste aos capítulos atuais está constatando o fato. A obsessão pela fama e pelo dinheiro estão pouco a pouco deixando Marcos desprovido da sua faculdade. Assim como na ficção, também acontece na realidade.
A mediunidade, faculdade fisiológica que permite dentre outros, ver e ouvir espíritos, é inerente a todos nós independente do credo religioso, sendo que em alguns se apresenta de forma ostensiva e em outros de forma latente, deve ser estudada, para melhor ser compreendida. Semelhante às demais faculdades do ser humano, exige cuidados especiais e um exercício correto dentro dos princípios éticos e morais.
Conforme O Livro dos Médiuns, o maior tratado no assunto, organizado por Allan Kardec o Codificador da Doutrina Espírita, a perda da mediunidade freqüentemente acontece; outras vezes, ocorre apenas uma interrupção passageira, que cessa com a causa que a produziu. Seja qual for o tipo de mediunidade, sem a influência dos Espíritos o médium nada pode. Questionando os Espíritos acerca dessa perda ou suspensão, Kardec obtém a seguinte resposta: "O que mais influi para que assim procedam os bons Espíritos é o uso que o médium faz da sua faculdade. Podemos abandoná-lo, quando dela se serve para coisas frívolas, ou com propósitos ambiciosos; quando se nega a transmitir as nossas palavras, ou os fatos por nós produzidos, aos encarnados que para ele apelam, ou que têm necessidade de ver para se convencerem. Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o Espírito verifica que o médium já não corresponde às suas vistas e já não aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um protegido mais digno." Um agravante nessas situações é que movidos pelo seu egoísmo, muitos médiuns que tiveram suas faculdades suspensas, para não perderem seus status, passam a enganar a boa fé das pessoas tornando-se verdadeiros charlatões.
Em resumo, a faculdade mediúnica é concedida gratuitamente para a prática do bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretender transformá-la em meio para alcançar benefício próprio ou qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus.

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