Não somos somente neurônios

O recomendável a todo jornalista no exercício da sua profissão é que procure ouvir as partes envolvidas, principal-mente nos assuntos polêmicos que desconhece. Estou comentando isso, após ler uma reportagem publicada pela revista Veja (7 de fevereiro de 2007), com o título "mitos do além explicados pela ciência", na qual o jornalista talvez na ânsia de externar suas próprias convicções, buscou apenas as explicações do time do contra, no que diz respeito às experiências de quase morte, taxando todos os acontecimentos como coisa do cérebro, privando o leitor de um conhecimento mais amplo proporcionado por outros pesquisadores.

A experiência de quase morte (EQM) é um acontecimento no qual o paciente é clinicamente declarado morto, porém, volta a viver. O assunto tomou maiores proporções após a publicação em 1975 do livro Life After Life (Vida Após a Vida) do doutor em psicologia, filosofia, e medicina, Raymond A. Moody Jr. Suas pesquisas foram divididas em três categorias: a experiência de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas, consideradas ou declaradas mortas por seus médicos; a de pessoas que, durante acidentes, doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física; e a de pessoas que contaram para outras que estavam presentes enquanto morriam. Em suas pesquisas, o dr. Moody pôde notar que as pessoas que estiveram "mortas" por um tempo mais longo puderam contar sua experiência com riqueza de detalhes. São muitos os relatos de que se tem notícia. A revista Superinteressante em agosto de 2005 veio recheada deles, destacando o iatista Lars Grael que teve duas paradas cardíacas depois que uma de suas pernas foi amputada em um acidente.

Uma das fontes da reportagem da revista Veja foi a neurocientista inglesa Susan Blackmore que afirma categoricamente tudo ser algo puramente biológico, causado pela falta de oxigenação no cérebro. O dr. Moody nas suas pesquisas também partiu desse princípio, porém, nas suas experiências ouviu relatos de pessoas fora do corpo narrarem coisas que aconteceram exteriormente à sala onde se encontravam e isso, não poderia ser explicado simplesmente por um efeito fisiológico ou bioquímico. E o que dizer do fato ocorrido com um homem em coma atendido pela equipe do holandês dr. Pim van Lommel, que teve a prótese dentária removida e uma semana depois não só reconheceu a enfermeira que lhe havia retirado a dentadura como também lhe disse onde havia colocado, pois nem ela lembrava mais?

Prefiro ficar com a citação do Espírito Augusto dos Anjos, psicografada pelo médium Chico Xavier, "tu não és força nêurica somente, movimentando células de argila, lama de sangue e cal que se aniquila, nos abismos do nada eternamente (...)", que de forma poética, nos chama à sensatez: somos mais do que simplesmente um corpo físico, e assim como a morte é uma realidade da qual ninguém foge, outra grande realidade é o reencontro com a vida maior, para a qual devemos todos estar preparados.

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