Anjos da Guarda


Quem são nossos espíritos protetores?

Conheça os aspectos históricos e as explicações da Doutrina Espírita.

A literatura mundial, especialmente a religiosa, está repleta de narrativas envolvendo seres sobrenaturais, deuses, gênios, enfim, espíritos com poderes milagrosos que aparecem nas horas difíceis oferecendo socorro, ou no mínimo, um alívio para nossas dores.

É claro que existe muita fantasia nisso tudo... quase sempre é fruto da criação da mente humana, mas será que por trás de todas estas estórias existe um fundo de verdade?

Em todas as culturas, de todos os povos e em todas as épocas encontramos estes tipos de estórias envolvendo acontecimentos “sobrenaturais”, portanto, podemos dizer que se trata de um fenômeno mundial e não de um fato isolado ou produto de determinada cultura.

Sabemos que os povos mais antigos já cultuavam seus deuses e faziam oferendas para aplacar sua ira ou obter favores especiais, como boa colheita, saúde etc. Para eles, os fenômenos da natureza eram governados pelos deuses, seres poderosos que decidiam a sorte dos homens. A partir de então surge a mitologia, com toda sua gama de simbolismos. Aos poucos, o Homem começa a internalizar os deuses e a perceber o mito como um aspecto da sua própria alma.

A relação entre os homens, os deuses e a natureza fica mais clara; o jogo começa a ser separado do trigo.O povo, em geral, ainda não conseguia discernir a fantasia da realidade, mas os grandes místicos e pensadores surgiam em todo planeta, como na Índia e na Grécia, iluminando o pensamento filosófico e religioso da humanidade. Judeus, cristãos e muçulmanos também deram as suas contribuição à Humanidade e em seus livros sagrados encontramos várias narrativas envolvendo seres considerados sobrenaturais, chamados de anjos ou espíritos.

Quando o Império Romano absorveu o Cristianismo nascente, houve uma burocratização da relação entre o Homem e os deuses – ou Deus – e toda simplicidade e naturalidade com que os povos ocidentais encaravam o mundo espiritual foi derrubada. Uma hierarquia centralizada no poder romano foi imposta e aqueles que ousavam desafiar a autoridade dos Papas eram condenados à morte. Chamados de hereges por escolherem um caminho diferente da Igreja, morriam porque pregavam um relacionamento íntimo e pessoal com o mundo espiritual, sem a necessidade de sacerdotes para intervirem nesta relação com o Além. Por interesses políticos e sacerdotais, a Igreja condenava qualquer relação com os espíritos, afirmando ser obra do demônio, e inúmeros mártires – como Joana D’Arc, que dizia escutar vozes – foram condenados à fogueira pela Inquisição.

Ainda durante a Inquisição,o cristão Martinho Lutero iniciava o movimento da Reforma, confrontando os poderes do Vaticano. Tem início o segmento cristão conhecido como Protestantismo.

Na Era da RazãoCom a revolução francesa, no século XVIII, o poder da Igreja é limitado e os ideais da liberdade, igualdade e fraternidade, apregoados pelo Iluminismo começam a despertar a atenção do mundo.

Em uma sociedade cada vez mais democrática, o relacionamento entre os anjos e os homens volta a ser uma possibilidade acessível a todos, porém desta vez surge outra força que procura por fim nesta relação: o Positivismo, uma corrente filosófica que propõe a soberania da razão e da Ciência experimental, ou seja, tudo aquilo que não pode ser aprovado cientificamente não deve ser aceito como verdade.

A liberdade da crença já era uma conquista, ninguém mais morria por afirmar entrar em contato com espíritos ou anjos, mas a Ciência passou a ser o novo “deus” em uma sociedade onde a maioria dos intelectuais e cientistas passaram a ridicularizar a Religião, que foi perdendo cada vez mais simples, terem sempre mantido as crenças.“Judeus, cristãos e muçulmanos fazem várias referências aos anjos em seus livros sagrados”.

A Doutrina EspíritaNeste cenário começam a ocorrer estranhos fenômenos que chamam a atenção da sociedade: mesas que “dançam” sozinhas no ar. Enquanto muitas pessoas resolvem transformar estas ocorrências extraordinárias em um tipo de exibição circense, um passatempo popular, alguns cientistas decidem pesquisar estes fenômenos a fim de descobrir o que estava ocorrendo.Com o tempo, as mesas “girantes” deixaram de ser o foco da atenção, pois havia sido comprovado que seu movimento coordenado, assim como o de outros objetos, no ar não era o resultado de força cega da natureza, mas sim, de uma inteligência oculta. Com o aprofundamento das pesquisas, esta mesma inteligência oculta revelou: eram espíritos.

Uma nova fase de pesquisas se inicia. Era necessário saber, então, quem eram estes espíritos e como era possível que eles entrassem em comunicação com os homens. Cada vez mais pesquisas e experimentos científicos foram sendo realizados.

A forma como ocorriam as manifestações dos espíritos foi se tornando cada vez mais clara. Chegava o momento, então, de escutar o que eles tinham a dizer, de aprender as lições que podiam passar. Portanto, o Espiritismo, que começou como uma ciência experimental, adentrava agora no campo da Filosofia e da Religião.

Entre os pesquisadores sérios e honestos que estudaram esta relação com os espíritos e o mundo espiritual, temos o inglês William Crookes, um dos maiores químicos de sua época; Camille Flammarion, um respeitável astrônomo; e entre tantos outros surge Allan Kardec, pseudônimo do pedagogo francês Hippolyte Leon D. Rivail.

Kardec realizou um trabalho inédito. Ele reuniu os ensinamentos dos espíritos, que a esta altura eram transmitidos diretamente através dos médiuns – pessoas com uma sensibilidade maior para entrar em relação com o mundo espiritual – o tanto quanto pôde e codificou estes ensinamentos em cinco obras básicas, que formam a estrutura da doutrina espírita.

São elas:

‘O Livro dos Espíritos’ (1857)
‘O Livro dos Médiuns’ (1861)
‘O Céu e o Inferno’ (1865)
‘A Gênese’ (1868)

Além das obras básicas, Kardec publicou a Revista Espírita, entre outros livros menos conhecidos.

Isso tudo Kardec fez sob um controle rigoroso. Tudo que não passasse pelo crivo da razão era descartado ou, deixado de lado. Isso não quer dizer que todos os ensinamentos dos espíritos estejam limitados ao trabalho de Kardec, claro que não! Ele formou uma base, uma síntese universalista cujos ensinamentos podem, conforme ele mesmo afirmou, ser encontrados nos livros religiosos da humanidade.

Portanto, o contato com os espíritos não é uma invenção de Kardec ou do Espiritismo. Tanto os pajés das tribos indígenas quanto os hebreus, os egípcios, os hindus e outros povos já relatavam a ocorrência dos fenômenos mediúnicos e de manifestações de espíritos. Aliás, todas as grandes religiões da humanidade foram alicerçadas no trabalho missionário de espíritos abnegados.

O trabalho de Kardec e de outros pesquisadores foi o de explicar estes fenômenos de forma científica, fazendo a ponte entre a Religião e a Ciência. Infelizmente, esta mesma Ciência, conhecida como a “oficial”, acadêmica, ainda não aceita os postulados da ciência espírita.

Os anjos segundo o espiritismoOs anjos sempre foram vistos como mensageiros do Além, intermediários entre os homens e Deus (simbolizado pelas asas). Entre eles existe toda uma graduação, de acordo com as tarefas que executam, como os Serafins e Querubins, que seriam os da mais alta hierarquia, até os anjos da guarda, responsáveis por velar pela segurança de alguém. A idéia de anjos está mais ligada à tradição judaico-cristã e ao Islamismo. Nas doutrinas orientais a concepção muda um pouco.

De acordo com a doutrina católica, “os anjos são seres puramente espirituais, anteriores e superiores à Humanidade, criaturas privilegiadas e votadas à felicidade suprema e eterna desde a sua formação, dotadas, por sua própria natureza, de todas as virtudes e conhecimentos, nada tendo feito, aliás, para adquiri-los.

Estão, por assim dizer, no primeiro plano da Criação, contrastando com o último onde a vida é puramente material; e, entre os dois, medianamente existe a Humanidade, isto é, as almas, seres inferiores aos anjos e ligados a corpos materiais.” , – do livro ‘O Céu e o Inferno’, FEB. Mas e para o Espiritismo? Como a doutrina espírita explica os anjos?Diz Kardec, ainda no livro ‘O Céu e o Inferno’: “Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres”. Até este ponto, vemos a concordância com a visão católica dos anjos.

A diferença crucial está no fato de que conforme o ensinamento dos espíritos, todos seres possuem uma “centelha divina”, a essência do próprio Criador em cada um de nós. Portanto, ninguém é privilegiado na Criação. Todos temos que trilhar o caminho da evolução espiritual a fim de manifestarmos nosso potencial criativo.Kardec prossegue, dizendo “As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim – que é a perfeição – é para todos o mesmo.

Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude de livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir [...]. Deste modo, pouco a pouco, se desenvolve, aperfeiçoa e adianta na hierarquia espiritual até o estado de puro Espírito ou anjo. Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade.

Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosas, tendo ainda nele um meio de progresso”. Portanto, entre os anjos, ou espíritos puros, existem aqueles que participam de tarefas grandiosas, como o planejamento e coordenação dos mundos, até aqueles mais próximos da nossa condição espiritual.

É importante ficar claro que todos os seres têm como destino a angelitude. Até a pessoa mais cruel um dia praticará o Bem tanto quanto os anjos. Ela pode se demorar milênios e incontáveis encarnações na perturbação e no Mal, fruto da ignorância, mas sua evolução é inevitável.

Os anjos, independentemente do grau evolutivo em que se encontram, são espíritos evoluídos, e nós, como também somos espíritos, seremos um dia tão puros quanto os anjos, conforme vamos evoluindo. É claro que isso não vai acontecer de repente, nesta encarnação, pois é fruto do trabalho de aprimoramento ao longo das várias encarnações e na vida espiritual.

E aos anjos da guarda? Eles são espíritos que protegem a nós e nossa família, dentro das Leis Divinas. Mas que espíritos são esses? Por que eles aceitaram esta tarefa?

Quando desencarnamos, nosso corpo físico morre, mas a consciência, o espírito, continua existindo, só que nos planos mais sutis da realidade. Continuamos com os mesmos vícios e virtudes, afetos e desafetos. Apenas mudamos de endereço! Sem o corpo físico, passamos a nos manifestar diretamente através do perispírito (corpo astral), que é um corpo mais sutil e que tem, normalmente, a mesma aparência do extinto corpo carnal.

Isso significa que mesmo “mortos” continuamos ligados à vida que tínhamos aqui na Terra, vinculados a certas pessoas que “deixamos pra trás”, seja por laços de ódio ou de amor.

A maioria dos espíritos recém-desencarnados ainda está muito apegada à família terrena e nem sempre está em condições de auxiliar seus familiares. Muitos sofrem pelo apego aos seus parentes consangüíneos e se negam a deixar o ambiente doméstico. Estes não podem ser considerados como espíritos sofredores que necessitam de auxílio e oração.

Em ‘O Livro dos Espíritos’, no capítulo III, encontramos a seguinte orientação: “Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma.Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos”. Portanto, quanto maior for o equilíbrio em que o espírito desencarnado se encontra, maior será sua liberdade de ação, dentro é claro, das Leis de Deus.

O anjo da guarda, que normalmente nos auxilia nos momentos difíceis, é um espírito que possui algum tipo de laço afetivo conosco. Esses laços são muito antigos, de encarnações passadas e devido ao grau de equilíbrio espiritual, recebe a missão de nos orientar.

Não são nossas “babás”, ou seja, não realizam aquilo que é nossa obrigação, mas podem atuar junto a um espírito protetor familiar que deseja nos ajudar.

Às vezes, quando o espírito que atua como nosso anjo da guarda precisa partir para outras tarefas, outro espírito pode assumir seu posto. Ou seja, o trabalho de proteção espiritual tem um tempo limitado e é mais intenso durante a fase infantil da pessoa encarnada.

Um caso de novela. A novela ‘Páginas da Vida’, da TV Globo, conta a história da Nanda (Fernanda Vasconcelos), uma mãe que desencarnou deixando dois filhos gêmeos ainda na maternidade. Mesmo desencarnada, a preocupação com os filhos continua, o que é perfeitamente natural. Às vezes, ela se manifesta para a filha Clara (Joana Morcazel), portadora da Síndrome de Down e quando a menina corre algum tipo de perigo, ela aparece com mais freqüência, chegando inclusive, a derrubar objetos na casa a fim de chamar a atenção da mãe adotiva.

Esta, não possui mediunidade de clarividência, portanto, não consegue “enxergar” a presença espiritual, mas, ao invés disso, sente um aroma de flores sempre que o espírito se aproxima.

Agora, na forma de perguntas e respostas, vou procurar responder de forma simples e resumida, algumas questões. Vamos lá!A mãe desencarnada seria um tipo de anjo da guarda dos filhos?Geralmente, o anjo da guarda é um espírito que nos acompanha desde o momento em que nos preparamos para o reencarne. Normalmente, ele assume esta tarefa quando ainda estamos no plano espiritual. Neste caso, a mãe desencarnada, gozando de um certo equilíbrio espiritual, recebe autorização dos espíritos Superiores para atuar junto à filha nos momentos de maior necessidade. É um espírito protetor familiar, com ações mais limitadas.

Por que as crianças são mais sensíveis à presença dos espíritos?Porque os laços energéticos que unem a alma ao corpo físico vão se fortalecendo à medida em que crescemos. Por isso, na fase infantil, mais precisamente até os sete anos de idade, nossa sensibilidade ao plano espiritual é maior.

Por que a mãe adotiva, ao invés de “ver” o espírito Nanda, sente aroma de flores?Ela não consegue ter a visão do espírito porque não possui a mediunidade da clarividência. O espírito Nanda, por possuir um certo grau de evolução, deve irradiar um campo energético harmonioso e que é percebido, mediunicamente, como um aroma de flores pela mãe adotiva.

Por que o espírito Nanda consegue mover objetos, como derrubar um porta-retratos?Em primeiro lugar, porque foi permitido pelos espíritos Superiores. Depois, porque através da força da vontade ela concentrou seu magnetismo o suficiente para mover o objeto. Provavelmente, a mãe adotiva deve ser uma doadora em potencial de ectoplasma, um fluido sutil que serve de base para as manifestações de efeitos físicos, o que explica essas manifestações na sua presença.

De acordo com ‘O Livro dos Médiuns’, “(...) as manifestações físicas têm por fim chamar-nos a atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de uma força superior ao homem”.

Também existem as manifestações físicas causadas por espíritos obsessores com o intuito de nos prejudicar ou nos amedrontar, mas como toda manifestação física, também são difíceis de acontecer. Como podemos perceber, a doutrina espírita é muito profunda e para compreendê-la precisamos estudar tanto as obras básicas de Allan Kardec, como os livros que vieram posteriormente, através de Chico Xavier, Yvonne Pereira e tantos outros espíritas abnegados, médiuns ou não. O conhecimento de como ocorre a mediunidade e das leis que regem a Vida, tanto material quanto nos planos mais sutis da existência pode mudar nossa vida.

O Espiritismo trouxe uma grande contribuição para a humanidade, sem desmerecer outras doutrinas espiritualistas. Na verdade, podemos e devemos aprender com todas as religiões, pois o que muda é a forma, os rituais, que se adaptam a cada povo e cultura, mas a essência dos ensinamentos espiritualistas é praticamente a mesma, em todas as religiões.

Conforme a lição que nossos anjos da guarda – ou espíritos protetores – nos ensinam pelo exemplo, fora da caridade não há salvação!

Revista Cristã de Espiritismo
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Sobre o autor: CELESFA

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