Gênesis, o Big Bang e etc.

Renato Gianuca

A Gênese, de 1868, obra do líder espírita Allan Kardec, é considerada uma das cinco obras básicas da chamada Codificação do Espiritismo. Assim, pelo menos, acreditam os adeptos daquele segmento religioso, de ampla difusão aqui no Brasil.

Já para os não-crentes, o livro – editado já 38 vezes pela Federação Espírita Brasileira - apresenta algumas oportunidades de pura especulação no campo da filosofia.

O livro de Kardec (1803-1869) é dividido em três partes.

Na primeira, trata da origem de nosso pequeno planeta azul. Mas neste ponto, procura fugir das interpretações místicas e/ou “mágicas” sobre a eventual criação” do Mundo.

Na segunda parte, aí sim, a obra envereda pela controvertida questão dos “milagres. E busca explicar alguns dos fatos extraordinários contidos nos Testamentos, quando aborda a questão dos chamados “fluídos”

E, na parte final, o “Gênese” do francês Kardec aborda o tema “sinais dos tempos” . Ou seja, entra em paralelo com as previsões do Armaggedon, ou cruza com as crenças de profissões religiosas como as da Igreja dos Santos dos Últimos Dias.

Claro: tudo isso não passa muito bem pelo racionalismo científico de nossos dias, neste começo de século 21.

Mas ainda aí haveria uma certa convergência: muitos cientistas das bandas do Ocidente acreditam – quase que piamente – num certo Big Bang. Uma explosão inicial de luz, que teria dado origem a todo o Universo. Ou a Gênese. E onde, então, se encaixa este “pálido ponto azul”, a Terra, perdido num pequeno recanto da Galáxia?

Na área da ciência mais hard, quase toda ela oriunda da extinta União Soviética – com sua Academia de Ciências. (E mais as dos países afiliados, como a Academia da ex-Deutsche Demokratische Republik,ou DDR, República Democrática Alemã) –, as posições sobre todas estas questões de cunho filosófico eram, e são, mais “fechadas”. Talvez até dogmáticas.

Nesta linha de pensamento, a origem do Universo, a Gênese de Kardec, não teria existido. E como? É que, para esses veteranos cientistas materialistas, o espaço, o tempo e o próprio Universo seriam eternos. Daí: não teriam nem princípio – o tal Big Bang –, nem um fim . Na contramão do que anunciam, aos berros, nas ruas de Porto Alegre, alguns pastores mais exaltados. Postados em geral nas imediações das Lojas Renner.

Ambas posições, a do Big Bang iniciador e a mais hard, da eternidade do tempo, espaço e etc. parecem merecer considerações mais amplificadas . Mas, para concluir: alguma verdade estaria, de fato, no chamado caminho do meio. Coisa tão ao gosto das mentalidades orientais. Ou seja: são questões que, por enquanto, e talvez ainda por muitos e muitos séculos, vão permanecer numa espécie de limite de nossa compreensão. Ou seja: há coisas acima de nosso entendimento, já diria o bardo inglês, que “nossa vã filosofia não alcança” . É esta a posição mais crítica da Cosmologia contemporânea. Que tem inspirado os sucessores de hoje dos grandes antecipadores destas questões de futuro. Lembro de Artur C. Clarke (2001, uma Odisséia no Espaço).ou Isaac Azimov e sua obra fundamental, intitulada “A Fundação”.

E não dá para deixar de citar o célebre cientista Carl Sagan Homem que denominou a Terra de “um pálido ponto azul”, perdido na vastidão deste enigma. Que é o Universo. Vamos meditar um pouquinho sobre essas coisas?

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