O segredo da felicidade

Sendo a Terra mundo de explicações e provas, entende-se que a felicidade total não se encontra nela, mas em mundos mais evoluídos.
Aqui, a felicidade é relativa. Diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo:

Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera, para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa seqüência de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.

Somos felizes. Os que se dizem infelizes, procuram a felicidade em coisas exteriores. Durante as 24 horas do dia, muitas coisas boas nos acontecem. Mas quando se espera que somente coisas materiais ocorram, tem-se como premio, a decepção. Pedro de Camargo “Vinícius”, no capítulo Felicidade, do livro Em torno do Mestre, (FEB) explica:

O desapontamento de muitos com relação à felicidade, desapontamento que tem gerado incredulidade e pessimismo, origina-se ainda de a suporem dependendo de condições e circunstâncias externas, quando todo o seu segredo está em nosso foro íntimo, no labirinto dos refolhos de nosso ser.

O problema da felicidade é de natureza espiritual. Circunscrito à esfera puramente material, jamais o homem o resolverá. O anseio de felicidade que todos sentimos vem do Espírito, são protestos de uma voz inferior.
A felicidade consiste em contentar-se com o que se tem. Quando o rico usa de meios ilícito para ter mais do que tem, ou quando o pobre usa desses meios para conseguir aquilo que nunca teve ou que não tem, as conseqüências são igualmente danosas.
Com isso, não se deduza que o homem deve agir como um expectador passivo. Muito pelo contrário. Se for rico, deve trabalhar para a aplicação da riqueza em favor do bem comum; se for pobre, deve agir resignadamente, sem, contudo, confundir resignação com conformação.

Deus deu ao homem, mais que ao animal, o desejo constante de se melhorar. É isso que o impulsiona em busca dos meios de galgar degraus cada vez mais altos.
É graças ao trabalho útil que a inteligência humana se desenvolve e a moral se apura. E como as necessidades do Espírito sucedem-se às necessidades do corpo, homem passa de selvageria à civilização.
O item 3 do capítulo XXV (Buscai e achareis) de O Evangelho Segundo o Espiritismo complementa maravilhosamente esta questão:

Se Deus tivesse liberado o homem do trabalho físico, seus membros seriam atrofiados; se o livrasse do trabalho intelectual, seu Espírito permaneceria na infância, nas condições instintivas do animal. Eis porque ele fez do trabalho uma necessidade, e lhe disse: Busca e acharás; trabalha e produzirás; e desta maneira serás filho das tuas obras, terás o mérito da sua realização e serás recompensado segundo o que tiveres feito. Recorramos novamente a Vinícius, no capítulo do livro citado:

O descanso é um prazer após o trabalho; sem este, que significado tem aquele? Assim a felicidade. Ela representa o fruto de muitos labores, de muitas porfias e de acuradas lutas. Vencer é alcançar a felicidade. Podemos, acaso, conceder vitória sem refregas? Quanto mais árdua é peleja, maior será a vitória, mais saborosos os seus frutos, mais virentes os seus louros.

O Evangelho de João (10: 10) registra estas palavras de Jesus:
O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir: eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

E Vinícius:

A verdadeira vida é sempre cheia de alegria; é um dia sem declínio, um sol sem ocaso. O céu é a região da luz sempiterna. A ele não iremos pela estrada ensombrada de tristezas, luto e melancolia. O caminho que conduz à felicidade, resolvendo os problemas da vida, é estreito; não é escuro, nem sombrio. Estreito, no caso, significa difícil, mas não lúgubre.

A alegria de viver nasce do otimismo, o otimismo nasce da fé. Sem fé ninguém pode ser feliz. Sem fé e sem amor não há felicidade.
O capítulo citado do livro Em torno do Mestre destaca a afirmação de Leon Denis:

Como a educação da alma é o senso da vida, importa resumir seus preceitos em palavras: Aumentar tudo quanto for intelectual e elevado. Lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos. Iniciar seus semelhantes nos esplendores do verdadeiro e do belo. Amar a verdade e a justiça, praticar para com todos a caridade, a benevolência, tal é o segredo da Felicidade, tal é o Dever, tal é a Religião que Cristo legou à Humanidade.
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Sobre o autor: Geraldo V Laps

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