Visões de um resgate em massa


Enquanto dormimos, muitas vezes sem nem mesmo desconfiar disso, podemos estar prestando um serviço maravilhoso de auxílio às forças da luz.

Um bólido de luz arrebata-se do céu sobre as trevas e, em sua trajetória vertiginosa, rasga o véu espesso do submundo espiritual.

Nesse momento, uma vaga enorme de dor e desespero verte por essa fissura, invadindo o mundo dos chamados vivos. Vagarosa e envolvente, essa massa espalha-se e transforma-se, aos poucos, revelando milhares de corpos mutilados e trôpegos, ao lado de outros tantos que se arrastam em seu próprio dejeto emocional. A cena é impressionante. Alguns parecem afogar-se em suas próprias dores, para renascer, em seguida, de suas entranhas e, novamente, tornar a afogar-se em desespero e dor...

A multidão de mortos vivos avança sobre os chamados vivos e, em seu rastro, deixa o odor sufocante da desolação, da revolta, da mais total degradação. De longe, o bólido luminoso parece esperar, vigiando serena e pacientemente.

A ferida recém - aberta no submundo espiritual exsuda, lentamente, toda sua dor, sua angústia, sua revolta por aquilo que julga perda e injustiça. E aqueles seres caminham, apenas por instinto, sem saber bem onde estão ou para onde vão. Confusos, assustados, repentinamente arrancados de seu mundo obscuro, sufocante e sem forma, apenas observam, desconfiados e agitados. Mas a fome de luz é maior e, mesmo arredios, eles se aproximam da clareira luminosa aberta à sua frente.

Estão há tanto tempo e tão profundamente perdidos em suas próprias trevas, que a luz parece agredi-los, ferindo-os como um punhal, mas buscam-na sôfregos, entre gemidos e urros.

O pavor é tão intenso que quase se pode tocar, mas o desejo de escapar daquele visgo é maior e os impele à frente irresistivelmente, irracionalmente.

A luz, então, se abranda e, do meio dela, surgem outros seres, milhares de outros seres brilhantes, profundamente doces e amorosos, serenos e firmes em sua ação. O olhar dispara chispas de luz em direção aos chamados vivos que, alheios, dormem, sem a menor idéia do que acontece. Tocados por aqueles dados de luz, seus corpos espirituais se desprendem como num passe de mágica e, como sonâmbulos palidamente iluminados, flutuam poucos metros acima de seus próprios corpos físicos que descansam na Terra.

Tocados, então, pelo raio luminosos que se desprende do coração de cada um daqueles seres brilhantes saídos do bólido de luz, aquele exército de sonâmbulos se transforma num imenso contingente de resgate, filtrando aquela energia finíssima e disparando dados de luz no coração de cada um daqueles infelizes, arracando-os de seu torpor e revelando-lhes, sem rodeios, toda sua miséria e degradação espiritual.

Os infelizes não enxergam os seres brilhantes, apenas a clareira de luz e o exército de resgate que, milagrosamente, apareceu à sua frente, como anjos salvadores enviados por Deus. Seus olhos embaçados, então, faíscam e vertem lágrimas, enquanto sentem o próprio peito esmagado pela repentina consciência e arrependimento pela condição a que se deixaram chegar. Choram convulsivamente lavando mágoas inadvertidamente acumuladas, uma sobre as outras, como roupas gastas e esfarrapadas que nada cobrem de suas vergonhas, mantidas apenas por puro apego infantil e doentio.

Enquanto choram, são recolhidos pelo exército de resgate, formado por sonâmbulos que nem sequer imaginam o serviço que prestam. Tomados por anjos vindos do céu, não passam de seres humanos, cujos corpos dormem sobre camas, onde imaginam que está também seu espírito, inerte, inútil, estástico, como seu corpo. Quanta ilusão... Tocados por infinitamente brilhantes, saem de seu torpor espiritual, deprendem-se de seu corpo físico e, mecanicamente, obedecem ao comando mental de consciências superiores que, sem sua energia mais densa, não alcançariam aqueles seres tão desesperados, não podendo despertá-los e resgatá-los para levá-los a outros planos mais sutis, onde podem se recuperar de toda sua degradação.

Um a um, os infelizes são despertados e resgatados. E todos vão sendo recolhidos, adormecidos, serenos como crianças, pelos seres de luz, enquanto a fissura aberta pelo bólido no véu que separa o mundo dos chamados vivos do submundo espiritual vai se fechando vagarosamente.

O exército de resgate também vai se desmanchando e os sonâmbulos vão, aos poucos, se apagando e voltando automaticamente para seus corpos, como se vestissem um velho uniforme para volta à escola.

A clareira luminosa ainda brilha e, dentro dela, os seres iluminados vão se reunindo e se transformando num único e intenso foco de luz: o bólido original que desceu do céu em sua missão de resgate, como uma nave divina.

Aos poucos, todos aqueles seres de luz parece transformar-se num único ser, numa única mente, num único coração, pulsando amor puro, pulsando compaixão serena e incondicional por todos os seres do universo.

Aos poucos, eles parecem se despedir, mas não dizem adeus, pois a missão é contínua e se repete diariamente, embora os chamados vivos nem desconfiem do que se passa à sua volta enquanto supõem que estão dormindo e nem suspeitem do maravilhoso serviço que prestam nas horas em que se imaginam mais inativos em suas vidas.

Nota: Texto escrito originalmente durante uma das reuniões do GOD –Grupo de Orientação a Desencarnados – do IPPB, em 2005, descrevendo um resgate em massa feito numa das camadas mais densas do Umbral. A cena foi vista por mim durante o trabalho, como se estivesse acontecendo no ambiente onde estava reunido o grupo. É com esse tipo de visão que fica clara a importância de nos prepararmos para o sono, colocando-nos à disposição dos seres de luz que precisam das nossas energias para os resgates mais complexos, com sentimentos e pensamentos de amor, respeito e compaixão por toda a humanidade encarnada e desencarnada da Terra.

Por Maísa Intelisano

Fonte:Revista Espiritismo & Ciência - ano 4 - nº 40.
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Sobre o autor: Geraldo V Laps

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