Médiuns na TV

A vida real de médiuns norte-americanos é levada para a televisão em dois seriados em exibição no Brasil.
Por Gilberto Schoereder

A TV por assinatura está apresentando dois seriados em que os médiuns são o centro das atenções. Obviamente, com as licenças poéticas (ou nem tão poéticas) que a ficção exige, o que inclui alguns exageros e pisadas na bola.

As duas séries em questão são Ghost Whisperer (segundas-feiras, às 19h) e Medium (segundas-feiras, às 20h), ambas do canal Sony Entertainment Television) ( ou apenas Sony, para os menos frescos). Para quem não está acostumado com a televisão por assinatura, os títulos são esses mesmos. Os canais de seriados têm a mania imbecil de não traduzir nada, apesar da televisão brasileira ter um longo histórico de apresentar séries com títulos traduzidos, em alguns casos até mesmo com os nomes melhores do que os originais.

Traduzindo livremente, Ghost Whisperer seria algo como “o que sussurra com os fantasmas”, ou “o que troca palavras em segredo com os fantasmas”. A série é baseada nas atividades do médium norte-americano James van Praagh, um dos mais pop dos EUA, ainda que muito combatido por parapsicólogos sérios devido ao mercantilismo. O próprio Van Praagh é um dos produtores, e a trilha sonora é assinada pelo excelente Mark Snow, compositor de Arquivo X.

O médium foi trocado por uma médium, no caso Jennifer Love Hewitt ( da série Party of Five e do filme Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado). Ela é Melinda, que possui o dom impressionante – herdado de sua avó – de não apenas conversar com os espíritos que ainda são presos a Terra, mas de vê-los e trocar muitas idéias complexas. O trabalho dela consiste em ajudar esses espíritos e resolver problemas que deixaram em suspenso quando encarnados e, dessa forma, possibilitar que eles passem para o outro lado.

Recém-casada, ela recebe muito apoio do marido – apesar das constantes e. às vezes inoportunas “visitas” em sua casa – e também de sua sócia numa loja de antiguidades.

Apesar do apelo da estrela principal, a série começa a se tornar repetitiva. Muito bem... ela tem a capacidade, o dom, ajuda os espíritos e tudo mais. E não sai disso. Em alguns episódios, os roteiristas parecem ter introduzido alguns elementos que devem dar um tom mais pesado a episódios futuros, apresentando alguns seres que, certamente, não querem nada de agradável com ela.

Se aqui no Brasil os dois seriados completam a programação do mesmo canal, nos Estados Unidos eles competem pela audiência: enquanto Ghost Whisperer é exibido pelo canal CBS, Medium é transmitido pela NBC, e ambos trazem uma história muito semelhante.

Na série Médium, o papel central é interpretado por Patrícia Arquette (do espetacular filme Stigmata), como a médium Allison, que também tem contato com os espíritos, mas vai além disso, conseguindo ler pensamentos e até ter visões do futuro. O seriado é baseado na vida da médium norte-americana Allison Dubois, mais especificamente em seu livro Don-t Kisss Them Good-bye; também é uma série mais densa, melhor escrita e interpretada que Ghost Whiserer.

Estudante de Direito e mãe de três filhos, Alisson passa a trabalhar como consultora para a polícia e a Promotoria Pública, resolvendo alguns casos difíceis e sem pistas, ao mesmo tempo que procura manter a vida em família equilibrada, contando com o apoio do marido.

As revelações que recebe vêm principalmente durante seus sonhos, às vezes com verdadeiros pesadelos. Consegue saber os assassinatos, encontrar pessoas desaparecidas, ou apenas saber quem está falando a verdade ou não.

Na vida real, Allison Dubois, realmente trabalha fornecendo esse tipo de informação à polícia e à Promotoria e, segundo se diz, já ajudou a encontrar corpos e suspeitos de assassinato. Segundo ela contou numa entrevista, suas visões começaram quando tinha seis anos e foi ao enterro de seu bisavô; depois, em casa, ela o viu parado ao pé de sua cama, dizendo que ela contasse à mãe que lê não estava mais sentindo dor.

Fonte : Revista Espiritismo e Ciência – Nº 39

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