Espiritismo no além-mar (Parte I)

Quando estamos longe de casa buscamos coisas que façam diminuir a distância e minimizar a saudade de todos e comigo não foi diferente. Por isso, assim que cheguei, tentei com a comida, mas não deu certo pois aqui não tem churrasco. A segunda tentativa foi com futebol, o que também não funcionou por que o time daqui é vermelho.... Sabendo que não teria muita sorte nestas tentativas, resolvi depois de conformado com a situação, procurar algum sinal de espiritismo por estas bandas.


No princípio achei que seria muito fácil (pelo menos mais fácil que achar um churrasquinho), já que o espiritismo tem suas raizes aqui na França. Infelizmente ao longo da procura fui vendo que a realidade era muito distante daquela que pensava e por isso resolvi escrever esta reflexão, para contar a quantas anda o espiritismo no país do Allan Kardec.


A minha primeira tentativa foi nas livrarias, onde comecei procurando alguma obra relacionada ao espiritismo. Para minha surpresa, encontrei prateleiras imensas sobre religiões (algumas que nunca tinha ouvido falar) e nada sobre espiritismo. Em uma outra livraria encontrei um exemplar do Livro dos Médiuns ao lado de um “kit do jogo do copo” para chamar espíritos (estava escrito na caixa!) e tudo isso na seção de esoterismo.


Resolvi recorrer à tecnologia e procurar centros espíritas na internet e para minha surpresa vi que existem praticamente mais centros espíritas (cadastrados) no Partenon que em toda a França!
Minha última tentativa foi conversar com as pessoas e tentar descobrir a razão disso tudo. O mais difícil foi explicar o que era o espiritismo. Muitos nunca ouviram falar, outros conheciam como “as mesas que flutuavam” (e olha que isso já foi a mais de um século!) e outros diziam para eu ter cuidado com “estas coisas de espíritos”. Já nas primeiras conversas ficou claro o motivo: eles não têm tempo e não se interessam. Aqui as igrejas são mais visitadas por turistas que pelos proprios fiéis...Jesus Cristo não está na moda...


Depois disso não pude deixar de pensar que “muitos são os chamados, mas poucos os que o ouvem... .”

Mas tudo isso não significa que somos privilegiados, não somos melhores e nem piores, apenas escolhemos um caminho diferente.



Abraços a todos



(Fabiano)

Comentários

  1. Odir Goulart1:06 PM

    Creio que fomos transferidos para o Brasil, onde a índole mais "pacífica" da maioria dos espíritos aqui encarnados pode permitir o desenvolvimento dos diversos tipos de assistência espiritual que existem, cristãos ou não. Existiram e existem na Europa muitos povos guerreiros e eles estão muito ligados a isto. Creio que caberá a nós, médiuns endividados que somos, auxiliar da melhor maneira que pudermos aos nossos semelhantes. Mas esta é apenas a minha opinião.

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  2. Anônimo2:12 PM

    Looks nice! Awesome content. Good job guys.
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